Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
Accept
Amazonese
Facebook Like
Twitter Follow
Instagram Follow
AmazoneseAmazonese
Pesquisar
  • Principal
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Nacional

Receita Federal apresenta política inédita para uso ético e seguro da Inteligência Artificial

30 de março de 2026
Compartilhar

A Receita Federal deu um passo decisivo no debate global sobre o uso responsável da Inteligência Artificial no setor público ao publicar sua nova Política de Inteligência Artificial, um marco regulatório que consolida princípios éticos, jurídicos e técnicos para o uso da tecnologia nas atividades tributárias e aduaneiras. O subsecretário de Gestão Corporativa, auditor-fiscal Juliano Neves, apresentou a nova política na Organização das Nações Unidas (ONU) na última sexta-feira (27/3), durante o 2026 Ecosoc Special Meeting on International Cooperation in Tax Matters.
Alinhada aos principais padrões internacionais, a política brasileira avança ao estabelecer salvaguardas inéditas, reforçando a centralidade do ser humano na tomada de decisões, a soberania dos dados públicos e a responsabilidade individual dos agentes públicos.
Um dos pilares da política é a preservação da autonomia humana. Embora a Inteligência Artificial seja utilizada como ferramenta de apoio, a Receita Federal deixa explícito que decisões administrativas e atos legais são de competência exclusiva de servidores públicos.
A norma estabelece que nenhum sistema de IA pode condicionar, substituir ou vincular o exercício das competências legais da administração tributária e aduaneira. O julgamento crítico, independente e fundamentado do agente público funciona como a última barreira contra decisões automatizadas injustas ou inadequadas.
Em outras palavras, a IA apoia, mas não decide. O controle final permanece sempre com o ser humano, assegurando pleno acesso dos contribuintes aos mecanismos de revisão e defesa administrativa.
Curadoria específica
Outro diferencial da política brasileira é a criação de uma função inédita: o Curador de Inteligência Artificial Generativa.
Enquanto normas internacionais tratam de modelos de uso geral de forma ampla, a Receita Federal instituiu um agente específico responsável por:
monitorar continuamente erros, vieses e alucinações;
avaliar a qualidade, a coerência e a precisão das respostas;
assegurar que os sistemas operem dentro de parâmetros éticos e institucionais.
Essa estrutura garante um nível de supervisão operacional muito mais detalhado e adaptado à natureza probabilística da IA generativa.
Responsabilidades
A política é categórica ao afirmar que o uso inadequado de Inteligência Artificial configura responsabilidade disciplinar individual. O descumprimento das salvaguardas éticas e técnicas previstas não é tratado como falha sistêmica, mas como conduta pessoal do agente público.
Além disso, a Receita Federal proíbe expressamente o uso de IA para manipulação subliminar; pontuação ou classificação social; vigilância em massa.
Essas vedações colocam a política brasileira entre as mais restritivas e protetivas do ponto de vista de direitos fundamentais.
No campo da proteção de dados, a política vai além das exigências tradicionais de privacidade. A Receita Federal proíbe, de forma expressa, que fornecedores ou terceiros utilizem dados tributários de cidadãos brasileiros para treinar, calibrar ou aprimorar modelos comerciais de Inteligência Artificial.
Sempre que possível, a instituição prioriza ambientes tecnológicos sob governança técnica integral, com controle sobre armazenamento, processamento, localização geográfica, infraestrutura e acessos.
O uso de ambientes externos ou não soberanos somente é admitido após análise técnica rigorosa, reforçando a proteção dos dados fiscais e aduaneiros.
Gestão de riscos e segurança em múltiplos níveis
A política estabelece uma estrutura robusta de gestão de riscos para sistemas de IA, exigindo resiliência contra falhas técnicas, ataques cibernéticos e usos indevidos.
Cada iniciativa passa por uma avaliação em três camadas:
unidade de negócio responsável;
área de tecnologia da informação;
comitê de TI institucional.
Esse modelo garante acompanhamento contínuo dos riscos ao longo de todo o ciclo de vida da solução.
Inovação com responsabilidade: o modelo “Fast Track”
Para equilibrar segurança e inovação, a Receita Federal criou um mecanismo ágil para o desenvolvimento de prototipagens e soluções experimentais.
Projetos de baixo risco podem ser desenvolvidos em ambientes controlados sem aprovação prévia do comitê superior, permitindo testes rápidos e aprendizado institucional, sem abrir mão de governança.
Esse modelo traz mais dinamismo do que estruturas excessivamente rígidas observadas em outras jurisdições, especialmente quando comparado a regimes voltados exclusivamente para sistemas de alto risco.
Capacitação contínua e cultura de IA
Reconhecendo que a tecnologia é probabilística e tem limitações, a Receita Federal instituiu um plano permanente de capacitação em Inteligência Artificial. O objetivo é garantir que os servidores compreendam:
o funcionamento dos modelos;
seus limites;
os riscos associados;
e o papel humano insubstituível na tomada de decisão.
Transparência, explicabilidade e auditabilidade
Por fim, a política reforça o compromisso com a transparência. Os sistemas devem ser capazes de explicar, de forma compreensível, os critérios e processos que conduzem a determinado resultado, priorizando soluções que permitam auditoria técnica e institucional.
A explicabilidade não é tratada como requisito técnico opcional, mas como elemento central da legitimidade do uso da Inteligência Artificial no setor público.
Um modelo de referência internacional
Com essa política, a Receita Federal consolida uma abordagem que combina:
inovação tecnológica;
proteção de direitos;
segurança jurídica;
responsabilidade individual;
soberania digital.
O modelo brasileiro se posiciona como referência para administrações tributárias no mundo, mostrando que é possível usar Inteligência Artificial de forma avançada sem abrir mão de ética, controle humano e confiança pública.

Assuntos Capa
Compartilhar este artigo
Facebook Twitter Email Copy Link Print
Painel Informe Manaus de Satisfação: Gostou da matéria?
Love0
Angry0
Wink0
Happy0
Dead0

Você pode gostar também

Nacional

Governo do Brasil assina mais dois decretos de titulação de territórios quilombolas

15 de abril de 2026
Nacional

MinC divulga resultado final da 2ª etapa de habilitação do Edital Sérgio Mamberti

15 de abril de 2026
Nacional

Prévia do 13º antecipado já pode ser consultada no Meu INSS

15 de abril de 2026
Nacional

Lançadas iniciativas para ampliar e melhorar a acessibilidade nas salas de cinema

15 de abril de 2026
Nacional

FIFA define centros de treinamento para a Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil

15 de abril de 2026
Nacional

Nota sobre a condenação dos réus do assassinato de Mãe Bernadete

15 de abril de 2026