O alcance do Novo PAC ultrapassa as fronteiras brasileiras. Um relatório publicado em junho de 2026 pela China International Contractors Association (CHINCA) e pela seguradora estatal China Export and Credit Insurance Corporation coloca o programa como o principal impulsionador dos investimentos em infraestrutura brasileiros, e como fator decisivo para o país liderar o Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura de Países de Língua Portuguesa (BRIDi).
Outro aspecto destacado pelo relatório, e que também diferencia o Brasil entre a comunidade de países lusófonos, é o fato de o Novo PAC dar maior autonomia nacional à orientação dos investimentos e trazer maior proteção contra oscilações externas, resultantes de ciclos internacionais.
O levantamento analisa nove países lusófonos e classifica o Brasil na primeira posição com 129 pontos, alta de um ponto em relação a 2025. O documento menciona diretamente o Novo PAC ao explicar a trajetória ascendente do país, destacando a expansão dos investimentos em energia elétrica, transportes e infraestrutura digital como vetores centrais do crescimento.
Para o secretário especial do Novo PAC da Casa Civil da Presidência da República, Roberto Garibe, o reconhecimento internacional reforça a consistência da política pública de infraestrutura adotada pelo Governo do Brasil. “O Novo PAC reafirma o compromisso desta gestão com uma infraestrutura moderna, integrada e orientada para o desenvolvimento do país. O reconhecimento do Brasil como líder em infraestrutura entre os países de língua portuguesa demonstra que investimentos planejados, executados com continuidade e voltados para resultados concretos fortalecem nossa capacidade de crescer, atrair investimentos e gerar oportunidades para a população”, afirmou.
Luz solar e mobilidade urbana para milhões de brasileiros
A transição energética está no centro da demanda projetada pelo BRIDi para o Brasil em 2026. O índice registra crescimento esperado de 23,4% na capacidade instalada de energia eólica e solar em relação ao ano anterior. Dois projetos lideram esse avanço: o complexo fotovoltaico Rui Barbosa, de 400 MW, e o parque eólico Serra do Assuruá, de 846 MW, ambos na Bahia, entregas que somam 1.246 MW de energia limpa chegando à rede elétrica.
O relatório aponta ainda que o Novo PAC impulsionou a construção de corredores de transmissão de alta tensão entre o Nordeste, maior produtor de energia renovável do país, e os centros de consumo do Sudeste. A participação de fontes renováveis não hídricas na matriz elétrica deve chegar a 39% em 2026, ante 32% em 2024.
Na mobilidade, o programa sustenta uma carteira robusta. São Paulo bate recorde histórico em investimentos em trilhos, com R$ 79,9 bilhões aportados. A ferrovia intercidades São Paulo–Campinas entrou em obras com investimento de R$ 142 bilhões. Oito licitações ferroviárias federais foram lançadas com traçados que somam 9 mil quilômetros e R$ 140 bilhões em investimento direto. Nos portos, nove projetos de modernização foram aprovados com R$ 5,1 bilhões.
5G e data centers verdes mudam a base produtiva do país
O BRIDi também destaca a expansão do 5G para o interior do Brasil como parte do esforço do Novo PAC em integrar infraestrutura física e digital. O relatório aponta a chegada das redes ao Centro-Oeste agrícola como salto qualitativo — conectividade que viabiliza automação, monitoramento remoto e redução de perdas na cadeia de abastecimento de alimentos.
A implantação de grandes data centers verdes em São Paulo e Fortaleza, alimentados diretamente por energia solar, é citada como modelo de integração entre infraestrutura limpa e transformação digital. O documento aponta essa fusão entre capacidade computacional e energia renovável como diferencial competitivo do Brasil na América Latina, e como reflexo direto das diretrizes do Novo PAC para o setor.
O Brasil lidera também os subíndices de demanda (161 pontos) e temperatura de mercado (133 pontos), os dois maiores entre os nove países lusófonos avaliados. Para o BRIDi, esses números refletem diretamente o volume de projetos em licitação e execução pelo Novo PAC.
Programa brasileiro vira referência no mundo lusófono
O segundo lugar do ranking ficou com Moçambique (118 pontos), impulsionado por projetos de energia e pelo apoio de instituições financeiras multilaterais. Angola aparece em terceiro (115 pontos), com avanços no corredor ferroviário de Lobito e na expansão solar no sul do país.
O relatório é preciso ao distinguir as trajetórias: enquanto os demais países lusófonos dependem de financiamento externo e parcerias com empreiteiras estrangeiras para viabilizar suas carteiras, o Brasil conta com uma política pública própria de infraestrutura, com horizonte de longo prazo e capacidade de execução contínua. Para associações como a CHINCA, que orienta investimentos de construtoras em mais de 70 países, esse é exatamente o tipo de sinal que diferencia um mercado estruturado de um mercado dependente de ciclos externos.
