Rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.679) cresceu 2,0% no trimestre e 5,2% no ano. Taxa de desocupação (5,8%) no trimestre caiu 1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado. População desocupada (6,2 milhões) registrou aumento na comparação com o trimestre de setembro a novembro de 2025Influenciada por perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção, comum no início do ano, a taxa de desocupação voltou a crescer, chegando a 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Isso significa que 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem sucesso no trimestre, 600 mil a mais do que o trimestre encerrado em janeiro. Mesmo assim, a taxa é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012. Outro resultado positivo é o rendimento real habitual de todos os trabalhos, que atinge novamente patamar recorde, chegando a R$ 3.679, aumento de 2% no trimestre e de 5,2% no ano. Os dados são da PNAD Contínua Mensal, divulgada nesta sexta-feira (27) pelo IBGE.
No trimestre encerrado em fevereiro, a população ocupada (102,1 milhões) registrou queda de 0,8% (menos 874 mil pessoas) e aumento de 1,5% frente ao mesmo trimestre do ano passado (mais 1,5 milhão de pessoas). No trimestre, houve forte redução de postos de trabalho no grupo Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (menos 696 mil pessoas). E, também, na Construção (menos 245 mil pessoas).
Nos dois casos há influência de movimento sazonal, sobretudo, nos segmentos de educação e saúde, nos quais parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy
“A construção também registra menor demanda das famílias por obras e reparos no início do ano”, acrescentou a coordenadora.
Rendimento continua em patamar recorde
Continuou em patamar recorde, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas, estimado em R$ 3.679, no trimestre encerrado em fevereiro, registrando crescimento de 2% frente ao trimestre anterior e de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, afirmou Adriana Beringuy
Segundo os grupamentos de atividade, houve aumento nas categorias do Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,1%, ou mais R$ 116), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,9%, ou mais R$ 140) e Outros serviços (11,2%, ou mais R$ 313). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.
A taxa de informalidade mostrou leve queda de 37,5% da população ocupada (ou 38,3 milhões de trabalhadores informais) contra 37,7% (ou 38,8 milhões) no trimestre encerrado em novembro. “Nesse trimestre, a retração da informalidade foi influenciada pela queda na construção (que registra grande contingente de trabalhadores contra própria sem CNPJ) e em segmentos menos formalizados da Indústria e Agricultura”, esclareceu Beringuy. No trimestre de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, a informalidade era de 38,1% (ou 38,4 milhões).
Empregados do setor privado sem carteira
Na população ocupada, a PNAD Contínua estimou que 39,2 milhões de pessoas eram empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada, com estabilidade no trimestre encerrado em fevereiro de 2026 frente ao trimestre encerrado em novembro de 2025. Na categoria dos trabalhadores por conta própria, formada por 26,1 milhões de pessoas, também foi registrada estabilidade nesse período. O mesmo comportamento teve a categoria dos empregadores (4,2 milhões de pessoas). E trabalhadores domésticos, estimada em 5,5 milhões de pessoas.
Por outro lado, a categoria dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (13,3 milhões de pessoas) apresentou uma redução de 342 mil pessoas no trimestre. E o grupo dos empregados no setor público (inclusive servidores estatutários e militares), estimado em 12,6 milhões de pessoas, também apresentou queda, de 3,7%, frente ao trimestre anterior.
Cresce número de pessoas subutilizadas
Seguindo o aumento da desocupação no trimestre, a taxa composta de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a Força de trabalho ampliada) cresceu de 13,5%, no trimestre encerrado em novembro de 2025, para 14,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026. Essa taxa representa cerca de 16,1 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil, mais 675 mil pessoas frente ao trimestre de setembro a novembro de 2025, ocasião em que a subutilização foi estimada em 15,4 milhões de pessoas.
Mais sobre a PNAD Contínua
A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil. Sua amostra abrange 211 mil domicílios, espalhados por 3.500 municípios, que são visitados a cada trimestre. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham nessa pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país.
Em função da pandemia de Covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone a partir de 17 de março de 2020. Em julho de 2021, houve a volta da coleta de forma presencial. É possível confirmar a identidade do entrevistador no site Respondendo ao IBGE ou via Central de atendimento (0800 721 8181), conferindo a matrícula, RG ou CPF do entrevistador, dados que podem ser solicitados pelo informante.
Consulte os dados da PNAD no Sidra. A próxima divulgação da PNAD Contínua Mensal, referente ao trimestre encerrado em março, será em 30 de abril.
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