A produção brasileira de grãos na safra 2026/27 pode chegar a 366,6 milhões de toneladas. O resultado positivo projetado reflete uma maior área semeada, prevista em 85,3 milhões de hectares, o que compensa a ligeira perda esperada na produtividade média nacional das lavouras, que deve sair de 4.335 quilos por hectares em 2025/26 para 4.296 kg/ha no ciclo 2026/27.
Os dados estão na 14ª edição das Perspectivas para a Agropecuária, publicada nesta terça-feira (15/9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Banco do Brasil (BB). O documento também traz a contribuição da agricultura e da pecuária brasileira para a regularidade do abastecimento interno e para a oferta de alimentos em quantidade, qualidade e diversidade adequadas.
Milho – A área de milho apresenta tendência de crescimento, enquanto que o potencial produtivo dependerá do calendário das condições climáticas a serem registradas durante o desenvolvimento da cultura. De acordo com a projeção da Conab, as agricultoras e os agricultores brasileiros deverão elevar pela segunda vez consecutiva a área semeada no primeiro ciclo do cereal, sendo destinados 4,54 milhões de hectares para a semeadura em 2026/27, incremento de 10,7% em relação à temporada 2025/26. Com essa alta, a produção pode chegar a 32,1 milhões de toneladas, maior volume registrado nos últimos 13 anos. A área da segunda safra destinada ao grão também deve crescer em 3,7%, podendo chegar a 18,48 milhões de hectares, resultando em uma estimativa de produção de 113,2 milhões de toneladas. Já na terceira safra do cereal, a projeção de colheita é de aproximadamente 2,6 milhões de toneladas, o que resulta em uma projeção da produção total de milho no ciclo 2026/27 em torno de 148 milhões de toneladas, aumento de 2,8% em comparação ao ciclo 2025/26.
O maior interesse pelo grão é verificado em todas as regiões e acompanha o aumento na demanda interna pelo cereal, que se mantém aquecida impulsionada pela produção de rações, diante da expectativa de aumento da produção de aves e suínos, tanto neste ano como em 2027, e, principalmente, pelo crescimento da demanda da indústria de etanol de cereais. Além da alta no consumo doméstico, também é esperado uma maior procura do mercado internacional pelo grão brasileiro, com as exportações podendo chegar a 46 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.
Soja – No caso da soja, a perspectiva para a safra de 2026/27 é de crescimento moderado da produção, combinado com um balanço de oferta e demanda mais ajustado. A área cultivada é estimada em 49,3 milhões de hectares, com ligeira expansão de 1,4% em relação à safra anterior, configurando o menor crescimento percentual dos últimos 20 anos. A produtividade média nacional das lavouras da oleaginosa deverá apresentar ligeira redução, em função da elevada base de comparação da safra 2025/26, além dos riscos climáticos associados ao próximo ciclo. Neste cenário, a projeção é que sejam colhidas 181,64 milhões de toneladas.
Arroz – Já para o arroz, a definição da área do grão para o ciclo 2026/27 ocorre após um ciclo de forte redução da rentabilidade. O excedente formado na safra 2024/25 elevou a disponibilidade interna, pressionou as cotações ao longo da safra 2025/26 e reduziu o retorno econômico da cultura, criando um viés relevante de retração do plantio. Houve recuperação dos preços a partir do fim de julho de 2026, contudo, a melhora não recompõe integralmente as margens, mas traz um novo ânimo para o plantio do grão, principalmente para algumas áreas de cultivo de arroz de segunda safra no centro do país. Diante deste cenário, a área semeada para a cultura é projetada em 1,53 milhão de hectares em 2026/27, ligeiro aumento de 0,9% em relação à safra passada. Já a perspectiva de produção é de 10,76 milhões de toneladas, redução de 2,9% em relação à safra 2025/26, explicada sobretudo pela produtividade média nacional de 7.032 kg/ha, desempenho 3,7% menor que a safra anterior.
Feijão – Outro importante grão para o consumo dos brasileiros, o feijão deve manter a produção em torno de 2,9 milhões de toneladas. De acordo com as análises da Conab, para a temporada projeta-se um leve aumento na área cultivada que tende a ser contrabalanceado pela expectativa de uma menor produtividade, decorrente principalmente do risco climático associado ao El Niño.
Algodão – Para o algodão, a projeção da Conab é que a área semeada da fibra retome os patamares registrados no ano safra 2024/25, podendo chegar a 2,09 milhões de hectares, refletindo em uma produção de 4,2 milhões de toneladas apenas da pluma. A demanda externa seguirá como principal sustentação, enquanto o câmbio, a evolução do consumo mundial e as condições climáticas determinarão o comportamento dos preços e da rentabilidade.
Outras informações sobre o panorama dos principais grãos cultivados no País estão disponíveis na publicação da Perspectivas para a Agropecuária na Safra 2026/27. O documento também traz a projeção de produção e de mercado para carnes bovinas, suínas e aves para este ano e para 2027, além de artigo elaborado pelo Banco do Brasil sobre o crédito rural como um importante instrumento de desenvolvimento da agropecuária brasileira.
