Água contaminada, enchentes e deslocamento de animais peçonhentos para áreas urbanas exigem atenção da população
FOTO: Divulgação / FVS-RCP
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) reforça, nesta quarta-feira (10/06), as orientações para prevenção de doenças relacionadas à água contaminada e acidentes com animais peçonhentos durante o período de cheia dos rios no estado.
Com o aumento do volume das chuvas e a elevação do nível dos rios, áreas urbanas e rurais ficam mais suscetíveis a alagações. Esse cenário favorece a dispersão de lixo e esgoto, compromete a qualidade da água utilizada para consumo e amplia a circulação de animais peçonhentos em locais próximos às residências, aumentando os riscos à saúde da população.
Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a atuação da instituição inclui monitoramento epidemiológico contínuo, apoio técnico aos municípios e fortalecimento das ações de prevenção diante dos impactos provocados pelas cheias.
“Além do acompanhamento epidemiológico, a Fundação atua no fortalecimento da resposta dos municípios, com orientações técnicas e distribuição de insumos, como hipoclorito de sódio a 2,5%, em localidades estratégicas”, destaca Tatyana.
Entre os principais agravos monitorados neste período estão as doenças transmitidas pela água contaminada. O diretor da Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, ressalta a importância dos cuidados com a água destinada ao consumo humano.
“Durante o período de cheia, é importante adotar medidas simples de prevenção, como filtrar, ferver ou clorar a água destinada ao consumo humano, reduzindo o risco de adoecimento. Também é importante evitar o contato direto com a água das enchentes e utilizar botas e luvas durante a limpeza de áreas alagadas”, afirma Alexsandro.
Outro ponto de atenção é o aumento da ocorrência de acidentes com animais peçonhentos. O diretor de Vigilância Ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, explica que a elevação do nível dos rios altera o habitat desses animais.
“Com a subida das águas, serpentes, escorpiões e outros animais buscam áreas mais secas para abrigo e podem se aproximar de residências, comunidades e locais de circulação da população. Por isso, é importante manter os ambientes limpos e redobrar os cuidados em áreas alagadas”, orienta Elder.
Cenário epidemiológico
Os dados do monitoramento epidemiológico da FVS-RCP apontam que a Doença Diarreica Aguda (DDA) permanece entre os principais agravos acompanhados nas unidades sentinelas da capital e do interior.
Entre janeiro e maio de 2026, foram registrados cerca de 91 mil casos no Amazonas, sendo que aproximadamente 40% das notificações ocorreram em Manaus. No interior do estado, Tefé e Parintins estão entre os municípios com maior número de registros no período, reforçando a necessidade de intensificar as medidas de prevenção e os cuidados com a qualidade da água para consumo humano.
Em relação às doenças associadas ao contato com água contaminada, o estado registrou 11 casos de leptospirose entre janeiro e maio de 2026, frente a 13 casos no mesmo período de 2025, o que representa uma redução de 15,4%.
Outro ponto de atenção durante a cheia dos rios é a ocorrência de acidentes com animais peçonhentos. Somente no primeiro trimestre de 2026, o Amazonas contabilizou 1.042 acidentes, reforçando a necessidade de adoção de medidas preventivas em áreas alagadas e locais sujeitos à presença desses animais.
Até o momento, a FVS-RCP distribuiu 2.163.400 frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para todos os municípios do Amazonas. O insumo é uma importante medida de prevenção para o tratamento da água destinada ao consumo humano, especialmente em situações emergenciais e em áreas rurais mais vulneráveis aos impactos das cheias.
