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Como o Bolsa Família ajuda a transformar vidas e quebrar ciclos de pobreza

25 de maio de 2026
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Hoje estudante da Universidade de Brasília (UnB), Gabrielly Gomes, de 19 anos, é ex-beneficiária e faz parte dos filhos da primeira geração do programa social que conquistou a independência financeiraA estudante Gabrielly Gomes tem 19 anos, mora com os pais, em Santa Maria, no Distrito Federal, e projeta um futuro de trabalho e realizações. Mas nem sempre foi assim. Ela é a caçula de seis filhos, sendo cinco do primeiro casamento do pai, que mesmo trabalhando como marceneiro, precisava de um complemento de renda para o sustento da casa. Essa ajuda chegou em 2003, com a criação do Programa Bolsa Família.
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O cartão em nome de Vilmar Manoel Gomes está guardado até hoje. É a lembrança de uma trajetória que levou a família às atuais conquistas.

Eu sempre trabalhei como autônomo e, você sabe, dessa forma um mês tem, outro mês não tem. Realmente as condições não eram favoráveis para a gente. Com criança a despesa é grande, e eu tinha filhos pequenos. Então para mim foi muito bom, me ajudou muito. Sou muito grato”, recordou.

Com o passar dos anos, os irmãos de Gabrielly foram crescendo e conseguiram empregos. Quando a menina fez sete anos, a mãe sentiu que poderia trabalhar fora, pois em casa, os filhos mais velhos já tinham idade para cuidar dos mais novos. Com o aumento da renda, eles deixaram o Bolsa Família em meados de 2012.
“Com condições melhores, eu não necessitei mais. Fiquei feliz porque me ajudou na hora que eu precisava e essa ajuda já passou para outra pessoa, que realmente estava precisando mais do que eu”, disse Vilmar, emocionado. “Eu fiquei tranquila porque eu sabia que a gente ia conseguir superar todas as dificuldades, a gente já estava bem melhor financeiramente”, completou Clevia.
Hoje, Gabrielly cursa Gestão de Políticas Públicas na Universidade de Brasília (UnB), uma trajetória que se aproxima da maioria dos filhos da primeira geração do Bolsa Família. Após duas décadas de existência do programa, grande parte das crianças pobres e extremamente pobres com idades entre sete e 16 anos em 2005, saíram do Cadastro Único e ingressaram no mercado formal de trabalho.
Em 2005, ainda nos anos iniciais do programa, 11,6 milhões de beneficiários tinham entre sete e 16 anos. Catorze anos depois, em 2019, apenas 2,37 milhões daquelas crianças e adolescentes, na época com idades entre 21 e 30 anos, permaneciam no programa, enquanto cerca de 7,45 milhões, ou 64,1%, tinham deixado o Cadastro Único.
Foi o que apontou a pesquisa “Mobilidade Social no Brasil: uma análise da primeira geração de beneficiários do Programa Bolsa Família”, divulgada em 2023. O estudo foi realizado por pesquisadores do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), do Oppen Social, da FGV e da Università Bocconi.

Eu sempre entendi o que os programas sociais significavam para as pessoas que precisam, que estavam nas mazelas, assim como eu e minha família. E, desde então, eu sabia que queria trabalhar e atuar na área de políticas sociais”, refletiu Gabrielly.

“O que eu passei com os meus pais influenciou muito na forma como eu vi as políticas sociais. Eu fui beneficiária, por que não atuar nessa área e ajudar outras pessoas?”, prosseguiu.
Suporte para a caminhada
As mulheres representam 84% das responsáveis familiares do programa de transferência de renda, o que equivale a mais de 16 milhões de pessoas. Na casa de Gabrielly não era diferente. Quem sacava o benefício do Bolsa Família todos os meses era a mãe Clevia Natanael Gomes.
“Eu estava sempre ajudando em casa como dava, cuidando dos meninos, levando na escola, quando precisava, levava também no posto de saúde. E às vezes eu pensava como seria se ficássemos sem [o Bolsa Família], mas deu tudo certo”, lembrou Clevia.
O caminho de volta para casa passava sempre pelo mercado, para garantir a comida da família. Se sobrasse qualquer quantia, entrava no caixa para outro destino certo: roupas, calçados e materiais escolares para as crianças.
Para Gabrielly, a mãe era a gerente do recurso e sabia como aplicá-lo em benefício de todos. “Eu tenho lembrança de uma vez ela ter chegado com tênis para eu ir para escola e eu ficar muito feliz”.
Um importante mecanismo do Bolsa Família são as condicionalidades. Elas são um compromisso que a família assume para o acompanhamento em saúde e educação das crianças e fazem parte das memórias da Gabrielly.
“Eu lembro da gente, frequentemente, ir ao posto de saúde para fazer a pesagem, acompanhar. Também tinha a frequência escolar. E sei que, antes de eu nascer, meus irmãos eram presentes nessa trajetória de acompanhar a vacinação, todas essas questões muito importantes”, ressaltou.
Na educação, o acompanhamento verifica se estudantes de quatro a 17 anos estão matriculados e frequentando regularmente a escola, com base nos dados informados pelas redes de ensino no Sistema Presença.
A frequência mínima exigida varia de acordo com a idade: 60% de frequência para crianças de quatro a seis anos incompletos; 75% de frequência para crianças e adolescentes de seis a 18 anos incompletos que ainda não concluíram a educação básica.
Na área da saúde, as crianças menores de sete anos devem manter o calendário de vacinação em dia e realizar o acompanhamento nutricional. Gestantes precisam cumprir o pré-natal regularmente.
Gabrielly também se recorda que o Bolsa Família era realidade em outras casas do bairro, na cidade goiana de Santo Antônio do Descoberto, onde viviam na época em que eram beneficiários do programa.
Ainda há contato com os amigos da infância e ela comemora o fato de que, assim como ela, a maioria seguiu para a universidade – passo para a autonomia financeira. “É muito marcante não só para mim, mas para eles também, lembrar dessa virada de chave que nós conseguimos dar com a nossa família”, destacou.

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