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Nacional

“Nós não somos pessoas do passado, estamos aqui no presente”, diz ministro sobre valorização da cultura indígena

9 de abril de 2026
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Em entrevista ao programa ‘Bom Dia, Ministro’, titular dos Povos Indígenas destacou importância da memória indígena e criação dos espaços de representatividadeO ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro nesta quinta-feira (9/4), a importância de respeitar e homenagear os povos indígenas no tempo presente.

Nós não podemos mais entender os povos indígenas como aquelas figuras dos nossos livros de história, no dito descobrimento do Brasil. Nós não somos pessoas que ficaram no passado, nós estamos aqui, no presente.”

Terena aproveitou a ocasião do 19 de abril, quando é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, para relembrar o motivo essencial da mudança de nomenclatura da data comemorativa, que até 2023 chamava-se Dia do Índio. “Parece que é uma simples mudança, mas não. A palavra ‘índio’ tem uma carga colonial muito grande e reforça estereótipos que recaem sobre os indígenas”, disse.
“Você ter ali o reconhecimento do nome de ‘povos indígenas’ é você reconhecer que o Brasil tem 391 povos diferentes, 295 línguas indígenas que ainda são faladas neste país. Cada um com seu costume, cultura, forma de organização própria e maneira própria de ver o mundo”, completou o ministro.
Abril Indígena
Com o objetivo de propor um resgate da memória ancestral do país, o Ministério dos Povos Indígenas lançou a campanha Brasil Raiz de Verdade: É Indígena o Berço da Nossa Identidade. A ação de comunicação percorrerá todo o mês de abril e tem o objetivo de conectar o público à ancestralidade indígena, revelar hábitos e saberes de origem indígena muitas vezes desconhecidos e valorizar essa contribuição para a formação da identidade brasileira.
Para Eloy Terena, a diversidade indígena precisa ser vista com orgulho pelos brasileiros. “Nós precisamos aprender a conviver com toda essa diversidade e respeitá-la. E essa campanha, essa mensagem do Abril Indígena, vem justamente nesse sentido, para a gente não só reconhecer, mas também valorizar essa raiz dos povos indígenas, porque as raízes do povo brasileiro ainda estão entre nós, nós estamos entre vocês”, ressaltou.
Os conteúdos da campanha serão veiculados nas principais plataformas online, trazendo vídeos e postagens em redes sociais que abordam temas como vocabulário de origem indígena, contribuição econômica dos povos indígenas e segurança alimentar. “Nós temos povos nos mais diversos biomas, das mais diversas línguas. Estamos presentes em todos os estados brasileiros, não apenas na Amazônia brasileira”, relembrou o ministro.
Universidade — Outro destaque feito pelo titular dos Povos Indígenas foi a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), que está em tramitação no Congresso Nacional. Segundo o ministro, este é um dos principais legados que a pasta deseja deixar neste mandato. “Nós temos feito um esforço muito grande, com o Ministério da Educação, de valorizar a cultura indígena contemporânea. Vai ser justamente uma universidade gerida por indígenas e quem vai ganhar com isso é toda a sociedade brasileira, não só os povos indígenas”, declarou.
Representatividade
Sobre a representatividade indígena nos espaços de decisão pública, Terena disse que atualmente vivemos em um momento simbólico onde candidaturas indígenas estão cada vez mais presentes. “Hoje temos indígenas que são advogados, ministros, deputadas. E nem pelo fato de estarmos ocupando essas instâncias, deixamos de ser indígenas. É importante as pessoas terem essa consciência de que os povos indígenas, quando chegam nesses espaços de decisão, não chegam sozinhos. Eles estão levando consigo uma coletividade”, ressaltou.
O ministro completou que esse sentimento coletivo é importante também para os não indígenas, porque levam adiante, além da pauta indígena, a pauta ambiental, a defesa de direitos coletivos e a defesa dos interesses das comunidades periféricas.

Empreendedorismo
Durante a entrevista, Eloy Terena comentou sobre a importância de se apoiar iniciativas empreendedoras nas comunidades, assim como o turismo indígena, respeitando a territorialidade e a cultura. Ele ressaltou a criação de um projeto, junto ao Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), que oferecerá capacitação e fomento produtivo para as comunidades, fortalecendo o cooperativismo e o empreendedorismo indígena.
Sobre o etnoturismo, ou turismo indígena, o ministro destacou o apoio à prática bem gerida, quando se é coordenada pelos povos originários, gerando imersão cultural ao visitante e também retorno econômico para as próprias comunidades indígenas.

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